Candidado perfeito? Não caia nesta cilada

Será que o candidato que você idealizou realmente existe?

Desafiar-se a responder essa pergunta é a nossa dica. Afinal, estamos falando de um dos muitos equívocos cometidos em recrutamento: a insistência em buscar o candidato perfeito.

Aguardar que aquela quase divindade que você tem em mente se materialize à sua frente pode acarretar uma série de prejuízos à empresa, como veremos adiante. E não é segredo para ninguém que um processo engessado e irrealista é tudo o que o seu time e o seu negócio dispensam em meio a um mercado tão competitivo.

A ilusão do candidato perfeito

Criar gargalos desnecessários nos processos seletivos é ir na contramão do maior lema de hoje nos departamentos de RH: a otimização dos custos de contratação.

Um exemplo clássico que ganhou a internet foi o depoimento de uma brasileira cujo processo de seleção para uma vaga de Localization Technologies Engineer, da Apple, se arrastou por 8 meses e 14 entrevistas. Pior: o máximo que essa verdadeira novela gerou foi frustração.

Para reforçar a tese, sobram pesquisas mostrando que uma das coisas que mais contrariam os candidatos são processos longos e desnecessários.

Segundo a Robert Half, mais de 60% deles se desinteressam por empresas que implementam procedimentos seletivos travados.

Sejamos francos:

Esse tipo de atitude diz mais sobre indefinição e dificuldade de tomada de decisão do que sobre rigor no processo. E, como lembra a famosa frase, o que importa é saber o que importa!

Candidato perfeito: um mico-leão dourado

Perfeição não combina com a natureza humana. Pessoal e profissionalmente falando. É lógico que há talentos que são pontos fora da curva e trazem consigo um mix dos mais equilibrados entre skills, educação e experiência. Mas insistir num fit de 100% e colocar em risco fatores vitais, como a produtividade – sobrecarregando a sua equipe – não é a melhor decisão.

Para um processo de talent acquisition realista:

Atentar aos sinais do mercado:

Encontrar top talentos em TI na quantidade e urgência que o mercado requer é mais difícil do que dar de cara com um canteiro inteirinho de trevos de quatro folhas.

Esqueça o ideal e invista no candidato real. Atenção: desde que talentoso e disposto a sempre se superar.

Colocar treinamento e retenção na ordem do dia:

Acontece com todo mundo: nem sempre conseguimos bons matches para todas as posições. São vários os fatores que influenciam, como a localização da vaga, por exemplo.  

Seu talento pode estar mais perto do que você imagina. Ali, no seu time. E para que esteja pronto a abraçar a oportunidade, treinamento e cuidado constante na sua felicidade e da equipe de colaboradores. Investir nos seus colaboradores é a maneira mais efetiva e barata de fazer gestão de pessoas. A retenção é uma estratégia poderosa para a redução da necessidade de contratação.

Obsessão pelo custo da contratação:

Garantir a efetividade das ferramentas de contratação (de programas de indicação a plataformas de recrutamento inteligente) deve ser a grande preocupação. O perigo é o recrutador desenvolver uma obsessão desmedida por redução de custo, a ponto de inviabilizar o que toda empresa busca: contratações de alta performance.

Caça-talentos:

Muitos recrutadores não praticam o hunting. São em sua maioria administradores, gerentes de projeto ou coordenadores de equipe que colocam as vagas na rua e… esperam. Em um mercado aquecido, como o de TI? Nem pensar! O recrutamento ativo é indispensável!  

Considere trocar o sonhado Superman – ou Wonder Woman, pelo candidato que:

  • Cumpra com grande parte dos requisitos essenciais;
  • Tenha identificação com a cultura da empresa;
  • Demonstre disposição para desenvolver skills específicas do cargo eventualmente ainda não atendidas.   

Tem uma frase que diz:

No amor e na contratação, considere trocar o perfect fit por um promissor good fit.

E você? Que ponto(s) você considera abrir mão no meio do processo seletivo? 

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