recrutamento de desenvolvedores

Como atrair um desenvolvedor para uma cidade fora da sua preferência

Cidade e ambiente de trabalho abrem a lista dos itens que os desenvolvedores mais levam em consideração na hora de analisar uma vaga de emprego. Não que salário seja irrelevante, mas é provável que um desenvolvedor experiente abra mão de até 20% do que ganharia, em troca de um CEP que o leve a um ecossistema forte de tecnologia e inovação. Essa é uma realidade que salta aos olhos no dia a dia de quem trabalha com recrutamento e seleção de empresas, como os especialistas da Geekhunter. No momento em que você lê este material, o time se desdobra em testar, filtrar e apresentar os mais de 50 mil devs inscritos na plataforma a algumas das melhores vagas do país, oferecidas por mais de 2 mil empresas. O recrutamento de desenvolvedores é, sem dúvida, uma indústria em franca expansão.  

Fizemos um post falando um pouco sobre o que os programadores priorizam em uma vaga, vale conferir. Nosso objetivo é ajudar os recrutadores a entenderem melhor as motivações desses profissionais, já que elas podem se diferenciar bastante em relação a setores mais tradicionais do mercado de trabalho. E se a cidade para onde você está recrutando não é um fator de atração, não desanime! Há uma série de outras cartas que você pode jogar na mesa de negociação, e virar o jogo.

 

Recrutamento de desenvolvedores em ecossistemas de inovação 

 

É claro que há muitos motivos para fazer de Florianópolis a “cidade sonho de consumo” da maioria dos desenvolvedores. Para começar o aspecto mais óbvio: uma ilha paradisíaca cercada por dezenas de praias para todos os gostos; uma das capitais com maior qualidade de vida do país. Mas a cidade vai bem além disso. Ela se reinventou, construindo passo a passo, a partir de 1980, um ambiente favorável ao empreendedorismo. E descobriu uma nova vocação: a tecnologia. Tanto que na capital catarinense o turismo perdeu o posto de maior fonte de arrecadação para o ecossistema de inovação – aliás, hoje um dos que mais despontam no país.

“Vir para Florianópolis faz todo sentido para os desenvolvedores. Além de belezas naturais e qualidade de vida, tem um ecossistema forte de tecnologia e inovação. E isso é fator muito importante na decisão de abraçar uma vaga”, conta Filipe de Alcântara, da equipe de produto da Geekhunter. Ele destaca que viver em um polo tecnológico ajuda ainda a manter o profissional em constante atualização, com acesso a uma extensa agenda de meetups, eventos de todos os tamanhos, palestras de todos os tipos.

Desafios e novidades interessam muito a essa turma. Dizer que está testando algo novo na empresa, por exemplo, motivo de maior orgulho. Gabriel Pule, também do time de produto da Geekhunter, comprova o poder de atração desse ambiente. Vem de uma região que também tem um polo tecnológico respeitado, Recife, mas não resistiu à possibilidade de experimentar o dia a dia em Floripa, a cidade eleita pela Endeavor como a melhor para geração de negócios de alto impacto.

E, logicamente, o que atrai desenvolvedores à Ilha também atrai empresas. É o caso da gaúcha RZ2, que tem filiais no México e Colômbia e conta com centenas de clientes usando suas soluções em 14 países. O CEO Rafael Zambelli acaba de anunciar que está transferindo a sede de Porto Alegre para Florianópolis. Em entrevista ao portal Acontecendo Aqui, explica a decisão: “Florianópolis tem se sobressaído em relação a Porto Alegre e a outras cidades brasileiras. Por ser mais cosmopolita, por possuir uma qualidade de vida melhor e por ter recebido incentivos mais significativos do governo no que diz respeito à tecnologia,  tudo isso ajuda na atração de profissionais qualificados. Este contexto acaba gerando um ecossistema empreendedor mais interessante do que o que temos em outras regiões”.

 

Cidade de difícil atração para desenvolvedores, e agora?

 

Esse provavelmente não será um grande problema para você, se a sua preferência for por um profissional júnior. Encontrar estágio para desenvolvedores é missão praticamente impossível, o que faz com que o programador iniciante costume fechar os olhos para a cidade, focando mais na oportunidade de fazer currículo. Mas se você está a procura de um candidato pleno ou sênior e a sua vaga não é para uma cidade com polo tecnológico forte, vai ter um trabalho extra para fazer brilhar os olhos de quem está recrutando. É preciso analisar caso a caso e em especial o momento do carreira do candidato, opina a Gestora de Gente, da Geekhunter, Larissa Vieira. Segundo ela é preciso entender  o que o candidato busca. Se for promoção ou um desafio de carreira, esses profissionais podem priorizar a oportunidade, em detrimento de ser um lugar que não está entre as suas predileções.

E é preciso avaliar também a referência que ele traz. “Curitiba pode ser uma ótima pedida para quem está em São Paulo, já que é uma cidade organizada, com bom transporte público. Por outro lado, pode não seduzir um desenvolvedor que more em Florianópolis”, explica Larissa, lembrando que profissionais mais maduros costumam comprar desafios. Além disso, ela orienta as empresas a não usarem o salário como principal chamariz de candidato. “Salário não é uma régua boa porque quem vem só por ele, sai também facilmente só por ele”.

 

Cultura, um horizonte à frente e bom pacote de benefícios

 

Está aí algo com poder de fazer balançar os desenvolvedores mais renitentes: uma cultura consolidada, um horizonte a ser trilhado e um pacote de benefícios diferenciado. Quando falamos de benefícios, as iniciativas para atrair e reter talentos e para aumentar o comprometimento dos colaboradores têm se distanciado do universo regular de vales-refeição e planos de saúde. Licenças maternidade e paternidade estendidas, programa de mentoria, jornadas mais curtas às sextas-feiras e assessoria jurídica, psicológica e financeira são alguns deles.

É claro que alguns dos itens acima requerem maior fôlego financeiro e são praticados por gigantes da tecnologia, como Adobe, Facebook e Google. Guardadas as devidas proporções, ao desenhar um pacote de vantagens extras, é preciso vontade genuína da empresa em imprimir esses diferenciais à marca empregadora. Voltando ao nosso desafio da atração daquele top desenvolvedor que resiste ao convite por não se sentir confortável em relação à cidade, políticas como essas certamente ajudam na tarefa de convencimento.

Lynne Tye, do site Key Values, que ajuda engenheiros a encontrarem candidatos com fit cultural para seus times, elenca algumas top tags que servem de estímulo nas contratações: equilíbrio entre vida profissional e pessoal, flexibilidade de trabalho, remote-ok, inovação, ambiente de trabalho e um horizonte à frente para trilhar.

Quem também fez a sua listagem foi Rich Moy, do Stackoverflow. Participar da construção de algo de impacto lidera a lista, depois que 32% de desenvolvedores ouvidos em uma pesquisa terem afirmado que, mais do que salários, buscam a certeza de participar de projetos inovadores. Cultura da empresa, qualidade de vida e usufruir de um ambiente de constante aprendizagem aparecem bem rankeados.

Portanto, como você viu, se está disposto a atrair os melhores desenvolvedores, há uma série de pontos que podem ser fortalecidos para compensar eventuais fragilidades de sua vaga. Seja ela uma cidade não atraente para aquele dev que você busca ou outra fraqueza. Encare ainda como uma ótima chance de fazer do limão uma limonada, e passar a limpo o seu pacote de benefícios, fortalecer seu culture code e estar mais próxima de ser a empresa dos sonhos dos melhores candidatos.

 

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