Geekhunter entrevista: Fabio Pessoa

Ele é um típico “IT guy” – curioso, focado, sempre pronto a incentivar a equipe a buscar soluções fora da caixa para os desafios que o acompanham desde novembro de 2015, quando assumiu a direção de TI na ASICS America Corp.

Até chegar a Irvine, Califórnia, para integrar a equipe da gigante mundial do segmento de produtos esportivos, Fabio Pessoa trabalhou na Totvs, nas áreas de desenvolvimento, fábrica de Software e atendimento a cliente, e no McDonald’s, como Gerente Sênior de Sistemas.

Foi quando decidiu que já estava preparado para um passo maior: ser Head de TI. Começou essa escalada na ASICS Brasil e, pouco mais de três depois, recebeu o convite para comandar o time de tecnologia das Américas.

Nada foi ao acaso. Fabio é a prova de que quando a oportunidade encontra você preparado, já é meio caminho andado para o sucesso. E ele planejou cuidadosamente cada etapa profissional.

Hoje, o jovem que iniciou a carreira em uma pequena indústria de Santo André (SP), na década de 1990, implementa projetos globais com Europa e Japão em meio a pessoas de mais de 30 nacionalidades diferentes.

Como será isso?

A diversidade como diferencial competitivo

Experimente perguntar para Fabio qual a principal característica que garante a alta performance de seu time:

“Ser diverso. Se eu não for diverso, fico em desvantagem em um mercado global. E preciso de uma equipe que saiba se comunicar, seja colaborativa e tenha empatia, que calce os sapatos dos outros – sejam esses sapatos de colegas, fornecedores ou clientes”.

É claro que não se vive um céu de brigadeiro todos os dias, ele faz questão de destacar. E o que mais o motiva é justamente a necessidade de se desafiar o tempo todo para assegurar o alinhamento corporativo.

Para ele, a chave é que os gestores estejam muito cientes do que cada colaborador está apto a fazer:

“Tem o cara bom de entrega, que fica devendo no relacionamento, e vice-versa. Cabe aos líderes que trabalham comigo ajudarem a colocar as pessoas na posição em que elas possam oferecer o que têm de melhor. É como jogo de xadrez: cada um com seu grau de importância, cada peça se encaixando à medida que se faz necessário”, explica.

 

Sobre a entrevista para a Geekhunter

Durante uma hora e meia, Fabio conversou com a equipe da Geekhunter sobre a  sua trajetória, a carreira em TI, gestão de projetos e pessoas.

A entrevista faz parte de uma série de bate-papos com lideranças que inspiram. Já foram publicados materiais com a consultora Juliana Barbosa e Oliveira e o Diretor de RH do McDonald’s – Arcos Dourados do Brasil, Marcelo Nóbrega.

Na hora de escolher a plataforma para contato com a gente, é lógico que, entre as de sempre – Skype, Hangout – e o Zoom.us, que nunca tinha experimentado, Fabio ficou com este último. É a tal curiosidade que ele diz estar sempre exercitando e que julga fundamental para fazer carreira em TI.

Por falar em habilidades essenciais, o tripé comunicação, colaboração e empatia pautou a entrevista, de cabo a rabo.

Fabio dá pistas o tempo todo de que gestão de pessoas é um dos seus talentos do qual mais se orgulha. E foi impossível não desligar a chamada sem pensar que o Fabio Pessoa não poderia ter sobrenome mais adequado.

Boa leitura!

 

O desafio da multiculturalidade

Meu foco de trabalho são as Américas. Só para contextualizar o que isso significa: temos 12 instalações  distribuídas pelo Canadá, Estados Unidos, México, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru. Além disso, são mais de 120 lojas no continente, distribuídas no Canadá, Estados Unidos, México e Brasil.

A multiculturalidade, sem dúvida, é um desafio diário aqui e nos projetos globais que temos com Japão e Europa. Para se ter uma ideia, aqui na TI de Irvine são cerca de 30 colaboradores, de diversas origens – Ucrânia, Portugal, Índia, México, Sri Lanka e Brasil (sou o único brasileiro do time).

Quando consideramos os projetos globais que implementamos em parceria com Europa e Japão, esse número facilmente ultrapassa 30 diferentes nacionalidades.

Dentro desse cenário, imagine o que é acomodar tão diferentes culturas, costumes e backgrounds profissionais. É  uma experiência pessoal e profissional extraordinária.

Costumo dizer que é viver uma dose diária de globalização aplicada à rotina. Existem culturas cujas decisões são consensuadas, outras que imprimem  mais lógica e processo analitico.

Há ainda aquelas orientadas à hierarquia e, portanto, o processo de decisão costuma tomar mais tempo. Enfim, vivemos uma mescla de culturas com os sabores dos perfis individuais.

Equilibrar as necessidades de cada país, priorizar essas entregas e igualmente depender de componentes de um projeto que está sendo produzido em diferentes partes do mundo, com base em diferentes perspectivas, é complexo e requer muita comunicação, empatia e adaptação.

Sobre a gestão de equipes: aprendi que não tem nada mais bacana do que ver pessoas maduras e jovens trabalhando juntas e alcançando resultados positivos justamente por se complementarem. Aprendi que não tem nada mais bonito do que gente de culturas distintas, mindsets diferentes, se desafiando a tomar decisões conjuntas, em favor do alinhamento corporativo.

 

O perfil do profissional de TI

Ainda falando de desafios há algo interessante em TI que vale mencionar. Muitos acreditam que tecnologia ainda é aquela profissão em que você pode ficar “escondido por detrás da tela”. A experiência que eu vivo não reflete essa realidade. TI certamente mudou e continuará mudando no que diz respeito a relacionamento e comunicação.

Na década de 1990, de forma geral, o status quo mostrava que deveríamos ser mais lógicos, matemáticos, engenheiros. Com o passar do tempo e as muitas transformações comportamentais da era digital – smartphones, internet, redes sociais, ferramentas tecnológicas – esse perfil evoluiu.

Hoje, a TI abriga diferentes tribos de profissionais. As oportunidades são infinitamente maiores. E quanto mais variado o time, maiores são as contribuições que pode trazer.

Quando falamos de design thinking aliado a projetos de TI (novas aplicações, UX, solução de processos de negócios) falamos de pessoas que não codificam, mas têm uma capacidade incrível de empatia, de compreender o problema, de pensar diferente, de provocar a audiência e obviamente buscar solução.

Diversidade

O profissional de TI hoje tem que ser mais diverso. Quanto maior a capacidade de elaborar diferentes cenários de solução, em termos técnicos e também de negócios, maior a possibilidade de sucesso.

Ter uma boa fundação, um bom preparo, segue sendo fundamental, portanto a lógica ainda faz diferença, mas com uma ressalva: só é significativa se associada a pensamento crítico, à capacidade de mensurar riscos e impactos.

Em outras palavras, o hard skill é algo que se aprende. O profissional precisa estar  aberto e motivado ao aprendizado constante, afinal, novas tecnologias surgem do dia para noite.

Mas a parte técnica sempre se pode desenvolver. O problema é quando faltam colaboração, resiliência, comunicação e capacidade de se relacionar. Hoje, o QE (Quociente Emocional), mais do que nunca, deve andar lado ao lado com o QI (Quociente de Inteligência).

 

Critérios para escolha do time

Tratando-se de escolha para posições de especialistas, como desenvolvedores, DBAs (Administradores de banco de dados) e infraestrutura, ter profissionais que dominem as ferramentas e as tecnologias é muito importante.

Ao mesmo tempo, busco para essas posições aquele tipo de perfil que é antenado, que gosta de estar sempre informado sobre as novidades e disposto a experimentar novas perspectivas para os desafios diários.

Quando se trata de uma posição de liderança, busco profissionais que tenham boa fundação, mas que genuinamente demonstrem uma elevada capacidade de se reinventar, colaborar e comunicar.

 

Tecnologia no dia a dia da equipe

Uma boa plataforma de ITSM (Information Technology Service Management) é imprescindível para gerir o relacionamento com os clientes (portfólio de projetos, incidentes, problemas, changes, ativos etc). E também uma plataforma na nuvem que promova a colaboração, a comunicação remota e o compartilhamento de arquivos.

 

Dicas para carreira em TI

Para quem está começando agora no mercado de TI ou para o profissional que está querendo fazer ajustes na carreira, eu vou dizer o que funcionou comigo:

  • posicionar-me como o responsável pelas minhas escolhas (certas ou erradas);
  • investir tempo em autoconhecimento para reconhecer o que está bom e o que eu precisava melhorar;
  • ser crítico comigo mesmo
  • e ter um plano de longo prazo e clareza do que é necessário fazer hoje para alcançá-lo.

Na prática, fortaleça a sua fundação. Se você quer ter uma carreira como desenvolvedor, garanta o domínio sobre a metodologia. Sua técnica precisa ser apurada, independentemente da linguagem.

Se quer ser DBA, defina qual é o banco de dados para o qual você dará o seu foco.

Se quer ser um cientista de dados, sua base matemática deve ser consistente. Agora, de nada vai adiantar essa fundação, se você não estiver disposto a ser ético, adaptar-se, relacionar-se, colaborar e comunicar-se efetivamente, inclusive sobre o seu trabalho.

Para abrir as portas das corporações para você, não basta ser qualificado exclusivamente em termos técnicos, mas ter algo a mais para oferecer, um conjunto de comportamentos que possa expressar os diferentes DNAs e momentos das empresas.

E, importante: uma genuína vontade de aprender todos os dias, independentemente se você é um IT guy ou não.

Gestor da vaga X RH

Contratação é um trabalho a quatro mãos, uma parceria com RH. Se os gestores, donos das vagas não tiverem clara a necessidade, se não conseguirem chegar a um Job Description que não deixe dúvidas sobre a vaga e a empresa, não há como o RH fazer uma boa primeira seleção.

Igualmente, se as entrevistas não forem bem conduzidas, o risco da contratação não ser bem-sucedida é alto.

Do lado da empresa deve haver clareza quanto à cultura organizacional, clima da área e desafios da posição.

Por parte do candidato, igual transparência quanto aos valores pessoais, expectativas, momento de vida e outros propulsores comportamentais.

Juntos (empresa e candidato) devem buscar o fit (aquela liga entre os dois). Se não rolar, ambos estão fazendo escolhas erradas.

A contratação é uma peça fundamental na formação de um time. Assim como qualquer de seus projetos, esse processo deve receber toda a atenção do gestor de TI e seu respectivo parceiro no RH a fim de evitar retrabalho, custos adicionais e frustração de todos os  envolvidos.

Nesse momento, todas as ferramentas disponíveis devem ser corretamente aplicadas (JD, pesquisa de cargos e salários, plano de treinamento e desenvolvimento etc).

 

Anima Sana in Corpore Sano

Equilíbrio é a primeira palavra que me ocorre, quando penso no slogan da ASICS – Mente sã em corpo são. Por sermos uma empresa de artigos esportivos, temos um ambiente que obviamente promove essa dinâmica.

Anima Sana in Corpore Sano é parte desse DNA e, como líder, procuro motivar meu time a aplicá-lo. Aliás, temos vários atletas amadores por aqui. Além disso, temos um ambiente casual, não somente nas roupas mas também na maneira de nos relacionarmos.

A comunicação flui de diferentes canais, nos mais diferentes níveis e, igualmente, promovemos esse mesmo estilo na gestão diária, na forma como nos reunimos, na flexibilidade com o horário e na maneira como discutimos soluções para cada desafio.

Ficou com vontade de saber mais sobre a experiência do Fabio à frente do time de TI da Asics Americas? Manda a pergunta, que a gente faz a ponte!

 

Veja também

Comentários

comentários