Freela ou CLT, presencial ou remoto: como os desenvolvedores decidem

Trabalhar freelancer ou CLT, presencial ou remoto. Essas são dúvidas que quase todos os desenvolvedores já tiveram pelo menos uma vez na vida.

E qual o melhor modelo de trabalho? Eu, por exemplo, já fiz um pouco de tudo. Já trabalhei CLT como professor de robótica; fiz freela para gerar uma renda extra e desafogar um amigo que estava atolado de trabalho; prestei serviço para uma agência de propaganda como remoto e, agora, sou Desenvolvedor Full-Stack contratado da BossaBox.

O que a experiência me ensinou?

É o que vou dividir com vocês neste post. Espero ajudar recrutadores e gestores de RH a entenderem melhor o que motiva um desenvolvedor a priorizar uma ou outra escolha.

Tenha em mente o momento de carreira do desenvolvedor

Pontos mais relevantes para a tomada de decisão: o momento da carreira de cada um e o que a pessoa almeja para o futuro.

Existe uma série de fatores que deve ser levado em consideração, e que listo agora como uma espécie de “Diário de um dev para ajudar recrutadores e candidatos”:

Flexibilidade

Peguemos, por exemplo, o pessoal que ainda está na faculdade. A demanda de estudos durante esse período não é linear. Há semestres mais leves e, então, pode ser uma boa hora para fazer trabalhos como freela, ganhar experiência e garantir uma renda extra.

Se o desenvolvedor já estiver no mercado de trabalho, mas quiser ter tempo para outras atividades – empreender ou praticar um hobby, por exemplo, ele tem 2 opções:  além de fazer freelas, optar por um trabalho remoto. Esse é um modelo que, apesar de ter uma demanda constante, permite otimizar o uso do tempo.

Logicamente, como veremos, há perfis que se encaixam melhor nessa modalidade e não deixe a produtividade cair ou de  realizar as entregas combinadas.

Aprendizado

Quando falamos do mundo de TI, todos sabemos que muito do aprendizado não vem apenas de uma formação superior formal em um curso, mas também da prática do dia a dia.

Ninguém sai da faculdade exatamente preparado para o mercado de trabalho ou a par de todas as tecnologias utilizadas por um desenvolvedor. Temos que buscar conhecimento em livros, tutoriais, vídeo-aulas, fóruns. E muitas vezes o conhecimento vem com a superação de cada dificuldade.

Entendendo a cabeça de desenvolvedor:  

A cada desafio do nosso cotidiano podemos crescer como desenvolvedores. Assim, na próxima vez em que nos depararmos com um problema similar, já sabemos o que fazer.

Voltando à faculdade, é costume ensinarem sobre a linguagem de programação, comandos, códigos, IDEs, mas não é comum ensinarem sobre o ecossistema, a lidar com o dia a dia ou a gerenciar projetos maiores.  

Em relação ao gerenciamento de projetos maiores, há ferramentas que integram o cotidiano de todos os desenvolvedores com certa experiência, como um gerenciador de dependências, ou um task runner, e são de suma importância principalmente para trabalhar em equipe em projetos grandes.

 

E mais: ao lado das habilidades técnicas, podemos citar os hoje populares soft skills, como boa comunicação, colaboração, relacionamento interpessoal, capacidade de trabalhar sob pressão, adaptabilidade, pensamento crítico, negociação e etc.

Tudo isso é levado em consideração na hora de se escolher onde e como trabalhar. Um ambiente mais formal e de hierarquia mais forte pode ser melhor para desenvolver essas soft skills.

Já no caso de deficiências mais técnicas, pode ser mais interessante fazer freelas, pois cada projeto é um problema diferente. Novos aprendizados, oportunidades e o uso de diferentes tecnologias são constantes nessa modalidade.

Se, no entanto, o ponto fraco do desenvolvedor for apenas relacionado a boas práticas de programação e à organização de projeto, a balança começa a pender para um trabalho mais tradicional, pois precisará trabalhar em projetos maiores com certeza.

Networking

Qualquer que seja o momento de carreira, é fundamental investir em networking, conhecer mais gente da área, trocar experiências, habilidades e lidar com pessoas de conhecimento maior. Sim, isso faz uma grande diferença na carreira!

Para quem optar por CLT ou mesmo por ser PJ em uma jornada mais estável, o networking é também muito importante – principalmente quando a pessoa sabe a importância de trabalhar seu marketing pessoal e de mostrar seu valor para a empresa e os colegas à sua volta.

Eu sempre pensei assim: pode ser que daqui a algum tempo eu esteja procurando emprego e meus ex-colegas de trabalho necessitem de alguém com as minhas habilidades. Ou vice-versa.  Ou digamos que até esteja satisfeito com o trabalho atual, mas um processo de recrutamento ativo chegue ao seu nome e você receba uma proposta que merece ser avaliada…  

Mesmo quem acredita que seu futuro/aspiração é apenas trabalhar como freela, se beneficia muito do exercício do networking. Muitos se preparam, trabalhando anteriormente como CLT em alguma empresa mais tradicional para saber como as coisas funcionam e também para manter contato com outros desenvolvedores experientes. Mais à frente, isso facilita aquilo que falamos há pouco: indicar e ser indicado para projetos ou empregos.

Financeiro

Financeiramente falando, as coisas são um pouco mais complicadas do que parecem. Antes de tomar a decisão, sigo a linha “cerque-se de dados”. Você precisa se informar quanto ganha um desenvolvedor com suas habilidades na sua região ou na região em que pretende aplicar para uma vaga.

Eu moro em São Paulo, e o valor é um pouco inflacionado em relação ao resto do Brasil por diversos fatores. Vamos usar como exemplo um Desenvolvedor Front-end Pleno. Em Regime CLT, aqui em São Paulo, o salário gira em torno de R$ 5 mil, além dos benefícios como Vale-Refeição, Vale-Transporte e convênio médico, além do INSS e FGTS.

O raciocínio então é: para trabalhar como freela, você tem que conseguir gerar dinheiro suficiente para cobrir os 5 mil reais, além dos gastos com refeição, despesas médicas, INSS e FGTS. Ou seja, financeiramente falando, você tem que ser capaz de gerar algo na casa dos R$ 7 mil para ter uma certa equivalência financeira.

E o que aprendi como freelancer:

Você precisa primeiro ter um portfólio de trabalhos, agregar valor, conseguir uma carteira de clientes. São coisas que demandam tempo.

O interessante é que tudo isso muda muito de pessoa para pessoa. Alguns têm uma habilidade empreendedora mais latente e conseguem se equilibrar de forma mais rápida. Outros não. Sempre tive em mente isso.

Outro fator que levo em consideração sobre ser freelancer ou ter um trabalho mais formal é a estabilidade financeira. Como freelancer, você está a mercê do mercado. Pode haver meses muito bons, e pode haver outros bem difíceis. Então, se faz necessária uma boa educação financeira e um “fundo de caixa” para ter margem para lidar com os altos e baixos. Para quem convive com despesas fixas, como aluguel, ou já têm família,  essa instabilidade financeira pode ser algo complicado de lidar.

Perfil

Existe quem goste de liberdade, não abra mão dela. Tem prazer em administrá-la e faz isso muito bem.

São aqueles que precisam estar envolvidos em um projeto novo, sempre que possível. Têm fome de aprender coisas novas, lidar com gente diferente ou ter liberdade de trabalhar enquanto viaja e conhece lugares novos.

Para esse perfil faz muito mais sentido trabalhar como freelancer. É claro que, para desenvolver alguma habilidade nova esse profissional pode até deixar a liberdade em segundo plano e optar por uma vaga mais formal, em determinado momento da carreira.

Há também o grupo dos que precisam de uma certa estabilidade financeira, o pessoal que tem família, que não gosta de ambientes muito formais e precisa levar e buscar os filhos na escola todo dia. Tem dúvida de que é o típico profissional para trabalho remoto?

Já aqueles que se sentem confortáveis com a ideia de uma carreira estruturada, se veem começando como Júnior, passando a Pleno e,depois, a Sênior, Gerente ou Tech Lead (e, quem sabe, CTO, CEO) a pedida é focar na vaga formal de emprego.

Conclusão

Freela ou CLT, presencial ou remoto?

Não tem receita de bolo.

A melhor opção depende da análise de diversos fatores –  técnicos e/ou pessoais.

Sempre me obriguei a parar, refletir e colocar tudo na balança.  E, só depois, tomar as decisões. Mesmo assim todos somos passíveis de erros. Coisa de humanos 🙂

Meu maior aprendizado sempre foi: se não estiver feliz, mude. Isso é muito forte entre nós, profissionais de TI. Queremos desafios. Gostamos de propósitos claros. Não se trata apenas de salário.

E se a maré não estiver para peixe, sempre peço calma. Pode ser que, logo ali adiante, o cenário seja outro. Pode ser que o dev tenha:

  • sanado as principais deficiências técnicas que o impedem de dar o próximo passo e fazer a sua carreira solo
  • percebido que a tão sonhada flexibilidade já não é algo tão importante no novo momento
  • decidido que deseja se sentir parte de algo maior

Que bom que existem possibilidades para todos os nossos momentos de carreira! Que bom que haja cada vez mais profissionais de RH interessados em entender a cabeça dos devs.

Conteúdo produzido por Lucas Alves dos Santos, da equipe de Produto do nosso parceiro BossaBox.

Deu para entender melhor como os desenvolvedores decidem entre freela e CLT, presencial e remoto? E as empresas, como será que pesam essas alternativas? Dicas  aqui.

 

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