Recrutador-candidato, guia do relacionamento de sucesso

A comunicação é a alma do negócio. E do bom relacionamento. No caso do recrutador Vs. candidato, o desafio é construir e manter esse canal como uma via de mão dupla.

Sem que o recrutador se preocupe mais em hierarquizar do que em construir uma relação duradoura e de sucesso.

Sem que ele caia na armadilha de se posicionar como quem dita unilateralmente as regras, o detentor exclusivo do direito de controle do processo.

Isso é tão antigo que só fazia algum sentido no tempo do RH analógico quando, mais por limitação das ferramentas e meios de comunicação do que por vontade própria, o recrutador – atolado em pilhas de currículos impressos e com uma lista enorme de telefonemas e entrevistas presenciais para fazer – era quem dava o ritmo da negociação.

Até brincamos que duas habilidades imprescindíveis para os profissionais da época eram coração forte e um quê de instinto premonitório. Eles não contavam com as facilidades do cenário data-driven de hoje. Falamos um pouco desses desafios no post  Porque devo automatizar os processos de RH. Dá uma conferida.

Só para reforçar: o bom relacionamento com os candidatos nem é mais considerada uma boa prática de recrutamento. É mandatório nos dias de hoje!

Por um relacionamento de sucesso recrutador-candidato

Pesquisa HackerRank 2018 para mapear as maiores dores, prioridades e oportunidades do recrutamento mostra que o mais difícil e demorado para 80% dos recrutadores ouvidos é encontrar profissionais qualificados.

O recrutador sabe que um falso match implica não apenas em prejuízos de todo tipo para a empresa – de produtividade, de clima organizacional, financeiro, mas também para o seu próprio branding de hunter.

Engajamento é essencial 

Reveja as suas estratégias. Você ainda faz recrutamento passivo, aguardando que os candidatos dos sonhos cheguem até você? Experimente o hunting ativo. Invista no engajamento como instrumento de manutenção de talentos no seu radar para que você construa um pool de candidatos poderosos.

A vaga ideal para determinado candidato pode não existir hoje, mas mantenha-o por perto, alimente-o com material rico produzido pensando no aprimoramento técnico e pessoal dele; envie novidades sobre a empresa; incentive-o a acompanhar as suas redes sociais; mostre o quanto a sua cultura interna está consolidada e o quanto ele está alinhado com os valores da empresa.

Boa experiência do candidato

Candidatos são consumidores, não se esqueça. E os consumidores mudaram muito com a transformação que a tecnologia trouxe à forma de nos relacionarmos com produtos, serviços, pessoas.

Grande parte dos candidatos pesquisam bastante sobre a sua empresa na hora de aplicar para ela ou responder a um convite de emprego. Antes do primeiro contato, já identificaram o que consideram os seus pontos fortes e fracos.

Imprimir uma lembrança positiva do que ocorreu com o candidato durante as etapas de  atração e seleção tem potencial para fazer dele um verdadeiro advogado da marca.

Quando o contrário ocorre, uma má experiência, a reputação da marca corre sério risco, conforme estudo da The Hire Lab sobre a experiência do candidato:

60% desistem no meio de processos longos

58% reclamam que feedback não existe

64% repassam para amigos o que de ruim aconteceu

34% deixam de comprar de empresas que mandam mal no recrutamento.

Se quiser saber mais sobre esse assunto, dá uma olhada no post em que falamos sobre o que fazer para uma boa experiência do candidato.

Frase que gostamos muito: “As pessoas não se lembram do que você disse ou fez. Elas se lembram do que você as fez  sentir”. Maya Angelou

Indicações são sempre bem-vindas, mas atenção

Indicações costumam ser a uma forma de sucesso para recrutamento, em especial em TI. Especialistas, no entanto, sugerem certo cuidado em relação às indicações internas.

A origem da indicação não pode ter mais relevância do que a qualidade do candidato – leia-se um superior indicando amigos ou familiares, por exemplo.

O processo de recrutamento tem que ser muito bem sistematizado e igual para todos, evitando que o foco saia das habilidades e competências dos candidatos e se perca por métricas furadas.

Não custa lembrar que se a contratação não der certo, isso irá para a conta do recrutador.

Manual básico do bom relacionamento recrutador-candidato

Recrutador

  • Ouvir mais

Mostre-se aberto a ouvir e entender as motivações e expectativas do candidato. Um bom recrutador é um bom ouvinte, com interesse genuíno no que o candidato tem a dizer.

  • Ser transparente

Mostre disposição para responder todas as dúvidas do candidato. Transparência é fundamental num bom processo de recrutamento.

  • Acompanhar de ponta a ponta o processo

Mantenha contato com o candidato durante todo o processo, desde a atração, testes, entrevista e oferta de trabalho.

  • Sinalizar o status do candidato

Informe o candidato sobre a sua performance no processo de contratação. Não economize nos feedbacks.

Em resumo as tags para o recrutador seriam:

Bom ouvinte, transparência, acompanhamento e feedback

Candidato

  • Fazer uma comunicação de qualidade

O recrutador tem que saber exatamente o que você quer: pretensão de salário, jornada de trabalho, benefícios. Tire todas as suas dúvidas e fale de todas as suas expectativas.

  • Ter paciência

Mantenha os pés no chão. O recrutador tem que gerenciar duas grandes expectativas: a do cliente, que tem pressa para preencher a vaga porque processos longos fazem escoar pelo ralo tempo e dinheiro, e a sua.

Expectativas têm que ser realistas. Você ajudará e muito na relação mostrando-se interessado em garantir que nenhuma dúvida importante seja deixada para trás e que entendeu perfeitamente todos os principais pontos sobre a oportunidade oferecida.

  • Certificar-se de que o CV dê match com a vaga

O recrutador caprichou no job description, deixando claros os seus critérios de avaliação e as habilidades e competências exigidas. Ele investiu tempo nisso, para garantir que nem ele e nem você percam tempo com candidatos que não dão match. Tenha certeza de atender as exigências e de manter atualizado seu CV.

  • Honestidade, acima de tudo

Mentira tem pernas curtas inclusive em recrutamento. Um pouco de confete para valorizar a trajetória profissional todo mundo joga, mas destacar pontos importantes do currículo é diferente de incluir informações que não correspondem à verdade.

Honestidade gera confiança e confiança é fundamental para um bom relacionamento. Além disso, seja franco em relação a pontos que não agradam você. Dê feedback durante todo o processo. Bons recrutadores podem atuar como coaches de carreira para você – não são só os KPIs que importam para eles 😉

Em resumo, as tags para o candidato seriam:

Honestidade, paciência, feedback, comunicação, expectativas realistas

Gostou do conteúdo? Entenda abaixo como a tecnologia pode ajudar você a melhorar o relacionamento recrutador-candidato. 

Larissa Vieira

Larissa Vieira

People Management em Geekhunter
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