Sul do Brasil - Polo Tecnológico

Região Sul do Brasil reúne grandes oportunidades para desenvolvedores

Muito se fala em crise no Brasil, mas os números do setor de TI destoa um pouco dessa realidade. A área é uma das que mais emprega profissionais nos últimos anos (foram mais de 1,3 milhão de pessoas contratadas em 2016 e os números tendem a crescer) e sempre procura por mais pessoal capacitado, uma vez que a tecnologia evolui em ritmo acelerado.

Uma das regiões que mais contribui para um resultado positivo desse mercado é o Sul. As multinacionais do Rio Grande do Sul e as startups do Paraná e, principalmente, Santa Catarina sempre procuram novos talentos, com salários que muitas vezes superam os 10 mil reais.

A região segue de perto duas influências, uma nacional e outra internacional. A primeira é São Paulo, famosa por ser o principal centro tecnológico do Brasil. A outra é o Vale do Silício, que tanto já ouvimos falar em leituras ou mesmo filmes. Assim, as tendências que surgem nesses dois lugares costumam ser faladas também pelos sulistas e, dessa forma, os tipos de profissionais procurados tendem a ser semelhantes.

Demanda “eterna” de profissionais

É comum ouvirmos falar que, em TI, há mais vagas que profissionais a ocupá-las, e a principal culpa recai sobre a qualificação. Em um ambiente altamente mutável, onde termos estranhos viram tendência em poucos meses, o trabalhador deve estar continuamente antenado nos trendings para se sobressair.

Da mesma forma, a influência do mercado externo, em especial, cria um hype nas empresas, que veem em tecnologias cada vez mais recentes uma oportunidade de se destacar no mercado ou melhorar suas soluções. Isso nem sempre é acompanhado pelo talento, que requer estudo, esforço e experiência de anos para atender e praticar da melhor forma seu trabalho nessa tecnologia.

Por isso mesmo, várias corporações apostam em capacitar seus funcionários, visto que é difícil para uma faculdade acompanhar sua grade curricular às exigências do mercado.

Assim, encontrar alguém com o “perfil ideal” acaba sendo um trabalho bem complicado e, por consequência, até vagas com altos salários podem ficar muito tempo sem serem preenchidas. Segundo estimativa do Observatório Softex, o Brasil pode deixar de ganhar 115 bilhões de reais por falta de mão de obra especializada.

De fato, a demanda continua alta. Em 2015, o Rio Grande do Sul tinha mais de 1300 vagas não preenchidas em programação e figurava em terceiro lugar na lista de estados com mais cargos disponíveis a esse perfil. No ano passado, o Paraná preencheu 1,2 mil vagas no setor e já emprega 18 mil pessoas no total.

Cargos em alta

Como falamos em nosso texto sobre os profissionais de TI mais procurados no país, a procura por programadores está sempre à tona. Realmente, é o esperado. Numa área tão vasta e que se amplia com novidades praticamente toda semana, sempre surge demanda para quem é interessado.

Uma das especializações mais procuradas é a de desenvolvedor full-stack. Tido como um profissional “difícil de encontrar” – como diz Jaime de Paula, CEO da catarinense Neoway -, o cargo “híbrido” atrai por trazer às empresas um profissional que consegue se dar bem com várias tecnologias, como frontend e backend, por exemplo. Eles já correspondem a 29% das vagas das startups em todo o país, de acordo com a pesquisa da GeekHunter, em conjunto com a Gama Academy

O Big Data é outro a ganhar força na lista de empregos. Segundo Fábio Saad, gerente da consultoria Robert Half, “os dados se tornaram estratégicos para qualquer negócio”, o que afeta diretamente a busca por currículos do tipo e também salários mais atraentes.

Os chamados DevOps também têm chamado a atenção das organizações, especialmente de startups que já começam com o método ágil intrínseco em suas veias. Estes são profissionais que estão por dentro de desenvolvimento e operação, e fazem com que ambas as áreas trabalhem de forma harmoniosa.

Além destes, as empresas continuam a procurar analistas de negócio, gerentes de projetos e arquitetos de TI. A necessidade contínua de pessoas que entendam bem o negócio atrelado a um projeto bem como o crescimento da computação em nuvem tornam esses profissionais bem valorizados no mercado.

Salários e Benefícios

Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro continuam a atrair profissionais com bons salários e pelo status de principais pólos de tecnologia do país, os sulistas estão cada vez mais próximos de alcançar esse patamar. Um exemplo está na chamada Ilha do Silício, em Santa Catarina. Claramente inspirada no Vale do Silício americano, a região já é a terceira maior do Brasil em faturamento, atrás apenas de Campinas (SP) e Rio de Janeiro.

De modo a manter seus talentos em casa e até mesmo trazer outros de fora, a remuneração ofertada é competitiva com a do Sudeste. Pesquisa da APinfo de 2016 mostra que não há uma grande diferença salarial entre os três estados sulistas e a média nacional, esta última impulsionada pelos paulistanos e fluminenses.

A realidade das startups também ajuda nesses dados positivos. A pesquisa da GeekHunter com a Gama Academy demonstra um equilíbrio de média salarial em todo o Brasil, se tirarmos da proporção o eixo Rio-São Paulo, que possui remunerações superiores em quase 2000 reais.

A vantagem das startups está nos benefícios oferecidos. Mais do que os tradicionais auxílios de alimentação e saúde, horário flexível e o popular no dress code (onde as pessoas podem ir ao trabalho vestidas mais à vontade) têm atraído muita gente de TI, pelo bem estar trazido por essas políticas que já são realidade em mais de 70% dessas empresas, conforme revelado pela mesma pesquisa.

Números só crescem

Se você achou os números espantosos, a tendência é que aumentem. Conforme relata um estudo da Softex, o Brasil terá um déficit de 400 mil funcionários de TI até 2022. Ao mesmo tempo, os investimentos devem ser ainda maiores, com a trégua dada pela crise e novidades tecnológicas cada vez mais na moda, como internet das coisas e big data.

Contribuindo com essa ideia, o Paraná tem o ambicioso plano de ser o “próximo pólo de TI da América Latina até 2035”. A afirmação vem do presidente Assespro-PR, Adriano Krzyuy.

Além do estado, Santa Catarina deve manter-se forte, graças a seu planejamento voltado ao setor. Daniel Leipnitz, presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), conta o segredo: “como funciona o ecossistema no Vale do Silício? São ótimas universidades, fundos de investimento, escritórios de contabilidade e de advocacia que oferecem apoio especializado e todo um ambiente que colabora para a inovação. Hoje nós temos esses atores em Florianópolis”.

Sem dúvidas, a competição com São Paulo e Rio de Janeiro ainda é desleal, mas a evolução obtida nos últimos anos certamente dá à região Sul um valor econômico de destaque ao setor no Brasil. A dúvida que paira agora é quando você vai agendar uma viagem para lá.

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